7 de jan de 2012

Juninho

[Juninho, em sua última foto conosco, com Luíza, Felipe e Rafael, em 14/04/2010]

Você se foi nas primeiras horas de hoje
Só saberemos amanhã, ao entardecer...
Horas paradas no tempo absolutamente vãs.
Horas suas de uma fria e anônima solidão
Horas nossas de uma ingênua e falsa normalidade.
Há um ano estamos inventando máquinas do tempo...
Várias vezes, voltamos atrás, de um sábado à tarde, de janeiro, até a madrugada da sexta, nas vésperas;
Pra lhe acolher.
Acolher, às vezes, é apenas lembrar a infância.
Noites seguras, todos em casa, todos em suas camas, todos dormindo.
Acolher, outras vezes, é recuperar gestos, brigas, sorrisos, tiradas, jeitos, rostos.
Acolher, outras vezes, é se rebelar.
Outras tantas, é saber onde a corda partiu e dar nós mentais pra remendar.
Você se foi nas primeiras horas de hoje
Só saberemos amanhã, ao entardecer...
Várias vezes, voltamos atrás;
no tempo:
Um minuto depois, pra vingar.
Na hora exata, pra brigar.
Um minuto antes, pra evitar.
Inutilmente...
Várias vezes, voltamos atrás, de um sábado à tarde, de janeiro, até a madrugada da sexta, nas vésperas;
Pra lhe acolher.
Inutilmente...
O único acolhimento que nos restou foi a saudade.
Uma saudade enorme.
Estranha.
De um de nós que se foi sem, exatamente, ter ido.
Você se foi nas primeiras horas de hoje
Só saberemos amanhã, ao entardecer...

14 comentários:

ENIO EDUARDO disse...

Linda Homenagem.

Dá um nó na garganta.

Uma vontade de construir a máquina do tempo . . .

Abraço Fraterno Flávio.

Blog do Flávio de Castro disse...

Obrigado, Enio. Sinceramente.

Luiza. disse...

Você e suas palavras.

Zeca Dias Amaral disse...

Olá a todos.
Como era deliciosamente implicante, meu amigo Juninho. Joãozinho Del Rey, como era tratado na turma. Lindo, inteligente e, cereja do bolo, um gênio do cão. Mas nunca foi santo; tinha defeitos, claro. Pra ficar no básico, dirigia muito mal. Roda dura, como a gente falava. Já aprontamos juntos. Saudades imensas. Abs.

Geyse disse...

Se o único tempo fosse o presente, não viveríamos com recordações de tantos tempos ao mesmo tempo, de tantas cenas que, ao mesmo tempo que trazem alegrias, trazem um misto de dor, tristeza, vazio, lágrimas. Estas emoções não deixam de existir nunca, só nos acostumamos com elas e não as deixamos ficar vívidas por muito tempo. Mas elas vivem sempre dentro de nós. Você retratou poeticamente esta confusão que se estabelece quando o tempo é passado, mas a presença de quem se foi é totalmente presente.
Me tocou profundamente seu texto. Parabéns.

Castanheira disse...

Flávio,
A saudade do porvir é a pior das saudades. Vidas que se vão antes da hora, ainda no início de tantos caminhos por percorrer ao nosso lado, como filhos, irmãos ou amigos.
Resta o consolo de saber que a memória e os sonhos daqueles que se foram seguem seguros em nossos corações e a alegria de termos tido o privilégio de compartilhar do milagre de suas vidas.
Um abraço em você e todos os seus. Muita força e paz.

Ramon Lamar disse...

Só posso oferecer um abraço. Daqueles onde não há palavras, não há sorrisos. Abração, amigo.

Serginho disse...

Flávio,tenho comigo que o segredo de tudo isto é transformar a saudade em um sentimento gostoso. É difícil, mas não impossível. E me baseio muito para superar minha perda
, em uns versos de Drumond: "Não há falta na ausência. A ausência é um estar em mim.E sinto-a, branca tão pegada, aconchegada nos meus braços que rio e danço e invento exclamações alegres, porque a ausência assimilada,ninguém a rouba mais de mim." Já disseram aqui: ler seu texto, dá um nó na garganta!

sandra maciel disse...

Inaceitavel como estão dando tão pouco valor a VIDA. Um ano se passou e nossa indignação não diminui.
Belissima homenagem!

Flávia Augusta disse...

Meu querido amigo,

Sem palavras para suas palavras. Só desejo muita a força e um abraço bem forte que os conforte a você e sua família.

Flávia

A. Claret disse...

Flavio,

tambem tive a tristeza de perdeu um irmao ainda jovem. Acho que sei avaliar sua dor nestes momentos. Saiba que Rosana, a Barbara e eu estamos com voce e sua familia.

Receba nosso abraço e nosso carinho.

Alê Casarim disse...

A vida e os seus segundos...
Como dizia uma amiga: "Esta vida passa num piscar de olhos, a eternidade não pertence a este mundo"
Um dia, todos nós nos encontraremos em outra dimensão... Acreditemos nisto!
Enviamos nosso abraço
Ruy e Alê

Frederico Dantas disse...

Belo texto; triste, muito triste história.
Um abraço.

Dalton disse...

trincheira poética da vida que nos leva como ratos,